Engenharia empreendedora há 26 anos

O engenheiro Cláudio Afonso (à esq.) e o administrador Estevam França: parceria empreendedora que deu certo.

A Afonso França Engenharia, conhecida pelo seu know how em obras de inovação, completa, neste ano, 26 anos de vida, e nasceu da parceria e amizade do engenheiro Cláudio Afonso e do administrador Estevam França. A empresa participa de grandes obras em todo o País nos setores industrial, corporativo, papel e celulose, data center e hospitalar.

Em 1992, o País ainda sentia os reflexos da recessão econômica da década de 1980, o ambiente de negócios ainda estava conturbado e incerto, mas os dois amigos preferiram o caminho do empreendedorismo. França lembra: “Estávamos numa transição em que tínhamos dois caminhos: buscar uma oportunidade de trabalho no mercado ou empreender.” A escolha veio rápida: “Decidimos acreditar em nossa capacidade de gerir um novo negócio, pois a experiência no setor ambos já possuíamos.” Segundo ele, outros aspectos podem ter pesado nessa decisão, a vontade de enfrentar desafios e o otimismo.

França acredita que a formação e competências diferenciadas foram pontos altos para o sucesso do negócio. “Foi importantíssimo que cada um tivesse uma maior expertise numa área, pois numa startup os empreendedores têm que ser multifuncionais e os sócios preferencialmente complementares”, observa.

Indo para quase três décadas no mercado, hoje a empresa comemora ter fechado o ano de 2017 com um faturamento de R$ 480 milhões, 20% acima do volume registrado no ano anterior, com previsão de chegar a R$ 700 milhões em projetos já contratados para 2018, ou seja, quase remando contra a maré no País. “Você já deve ter ouvido falar “na crise, invista”. Foi isso que fizemos.” Mas ele salienta que para investir e obter resultados “é necessário que a administração da empresa seja muito bem feita, com indicadores, acompanhamento de resultados, processos bem definidos, entre outros”. Contudo, alerta: “Não se joga dinheiro fora, mas não se corta onde é importante investir.”

Os profissionais da engenharia, como descreve Cláudio Afonso, estão em todas as obras: produção, planejamento, custos, orçamentos e na gestão da obra em si. “Hoje temos um quadro aproximado de 80 engenheiros nas várias funções num quadro de 570 pessoas.”

As revoluções

A evolução da engenharia brasileira nessas duas décadas é sentida pela empresa, conforme atesta Afonso, e novas mudanças já se iniciam com a chamada indústria 4.0. Antes, porém, ele acha importante traçar um quadro geral sobre as três revoluções industriais para mostrar como essas mudanças estão relacionadas à engenharia. Ele faz questão de explanar: “Em 1780, houve a chegada das máquinas a vapor, marcando o ganho de produtividade e desempenho. Era a primeira revolução industrial. Já em 1870, as máquinas e equipamentos passaram a ter novas formas de fabricação com a chegada da eletricidade, marcando a segunda revolução industrial. E, em 1970, a terceira revolução foi marcada pela eletrônica para realizar processamentos, gerando uma grande transformação na cadeia de produção mundial.”

Outra transformação importante, como realça Afonso, se dá na década de 1990, quando as construtoras brasileiras passam a dar mais atenção à qualidade final da obra e qualificação profissional dos funcionários. Ainda nesse período, comenta ele, as políticas públicas de preservação do meio ambiente exerceram grande impacto sobre a engenharia civil. “O termo ‘construção ecologicamente correta’ passou a ter destaque e a necessidade de redução dos impactos à natureza passa a ser uma das novas atribuições do engenheiro.”

Digitalização e integração

Hoje, atesta Afonso, a indústria 4.0 traz a digitalização e a integração da massa crítica de informações, melhorando os processos. “As palavras-chave são integração, logística e planejamento de recursos, revolucionando a forma como prestamos serviços, a facilidade de fazer uso de BI (Business Intelligence) para produzir convergência e eficiência e o uso das máquinas que aprendem e podem aperfeiçoar automaticamente as informações. Máquinas conversando com máquinas.” Ele exemplifica: “O exoesqueleto permite ao funcionário terminar o dia com a mesma produtividade que iniciou, sem doenças, sem exaustão física e psicológica. Outro exemplo é um equipamento da IBM que faz a leitura e interpretação de contratos, usando uma tecnologia antiga (OCR, em inglês Optical Character Recognition) associada à inteligência artificial; não trata só de contratos novos, mas com a digitalização permite fazer o mesmo com contratos antigos e a cada novo processamento, aprende e aplica o novo conhecimento, criando uma capacidade de processamento impossível para um cérebro humano e que pode auxiliar muito a gestão de contratos nas empresas.”

Afonso ressalta que a tecnologia “modificou a forma como nos comunicamos, deslocamos, viajamos e até mesmo como fazemos nossas compras no dia a dia” Todavia, como aponta, embora a realidade aumentada, o big data, as impressoras 3D, os drones, entre outros equipamentos já sejam uma realidade na construção civil, “essas inovações ainda não são aplicadas em larga escala”. Na verdade, conjectura, o setor é um campo fértil de aplicação e evolução, até que (essas tecnologias) possam efetivamente, a partir de sua ampla utilização, ser mais do que ciência e possam contribuir para os resultados.

O engenheiro sentencia: “O investimento em inovação nos dias de hoje é quase mandatório, pois os ciclos se repetem de tempos em tempos e se teremos crises, também teremos oportunidades e precisamos estar preparados para elas. Quando concluímos o processo de introdução de uma nova tecnologia já temos que estar prontos para aprender outra.”

Sou Rosângela Ribeiro Gil, jornalista, trabalho na área de Oportunidades na Engenharia, do Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo (SEESP). Meu contato: rosangela@seesp.org.br.